Elmar e Afonso divergem sobre impacto da entrevista de Joesley na Câmara

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Elmar e Afonso divergem sobre impacto da entrevista de Joesley na Câmara

 
Por Luiz Fernando Lima

A pauta política da Câmara dos Deputados na semana pós-entrevista de Joesley Batista à revista Época é uma incógnita. A oposição ao governo Michel Temer (PMDB) avalia que o cenário piorou para o presidente, contudo, os aliados pensam que não houve fato novo nas declarações do empresário e que, portanto, nada muda.

Deputado federal pelo PT da Bahia, Afonso Florence, afirma que dificilmente o governo terá fôlego e que uma renúncia pode acontecer antes do final da semana. “O próprio Temer oscila entre ficar e renunciar. O problema é que ele quer alguma segurança de foro pós-renúncia”.

Já Elmar Nascimento (DEM-BA) defende a tese de que Temer está aquartelado se preparando para a guerra. “172 parlamentares é um número acessível, pois Temer foi presidente da Câmara e conhece o Congresso como poucos. Diferente da Dilma que além das dificuldades nas relações políticas ainda tinha Eduardo Cunha trabalhando forte contra, Temer tem um aliado na presidência que é Rodrigo (Maia). A não ser que apareça o batom na cueca não vejo razão para mudanças drásticas”.

No que se refere a Rodrigo Maia, no entanto, o colunista do jornal O Globo, Lauro Jardim, traz a informação de que neste domingo (18) completam 31 dias do primeiro dos 19 pedidos de impeachment de Michel Temer relacionados à JBS. Embora Maia reitere constantemente a “lealdade” ao presidente nenhum pedido foi arquivado, tampouco dado prosseguimento.

Para o petista, o presidente da Câmara tenta se equilibrar diante do cenário atual. “Ele quer ser presidente da República biônico. Tenta dialogar com o plenário da Câmara que o elegeria e ao mesmo tempo com establishment. Dialoga com as bancadas por segmentos na tentativa de formar uma nova maioria em torno dele”.

Outras agendas: além da crise inegavelmente agrava no ceio do governo Temer, os setores do Judiciário e Ministério Público também ganharam notoriedade e devem estar na  pauta do Legislativo.

Contra Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, há o pedido de impeachment protocolado no Senado. E a revista Isto É traz na edição desta semana denúncias sobre um suposto uso político da Procuradoria-Geral da República por Rodrigo Janot.